Um dossiê de emergência parece projeto de outra família, mais organizada — daquelas com frascos etiquetados na despensa. Não é. É uma noite a reunir papéis, e responde a uma pergunta que todas as famílias acabam por ouvir no pior momento possível: onde estão os documentos?
Uma admissão no hospital, um incêndio em casa, uma evacuação, uma morte na família — cada um destes momentos vem acompanhado de uma exigência de papelada, normalmente em poucas horas. O objetivo do dossiê não é adivinhar qual será a sua emergência. É garantir que a resposta a «onde está a apólice do seguro?» nunca é «algures no arquivo, acho eu».
Eis o que deve incluir, e como montá-lo em versão digital já esta noite.
Porquê começar pelo digital
O dossiê de emergência clássico é uma pasta vermelha de argolas numa estante. É uma boa ideia com um defeito: está na estante. Se estiver a evacuar a casa, a viajar, ou parado numa urgência às duas da manhã, o dossiê ficou em casa — e num incêndio ou numa inundação, o dossiê é exatamente o que arde.
Um dossiê digital está consigo onde quer que esteja o telemóvel, e uma cópia como deve ser sobrevive a tudo o que acontecer aos originais. Guarde também uma versão em papel, se quiser — alguns originais fazem mesmo falta em papel, e já dizemos quais — mas as cópias que a sua família vai realmente usar à pressa são as que estão num telemóvel.
Os 20 documentos
Não tente a perfeição na primeira noite. Estes vinte cobrem quase todas as emergências que uma família enfrenta.
Identificação (4)
- Passaportes — a página da fotografia de cada membro da família
- Cartas de condução ou cartões de cidadão
- Certidões de nascimento
- Cartões de Segurança Social (EUA), ou o equivalente do seu país
Seguros (4)
- Cartões de seguro de saúde, frente e verso, de todas as pessoas abrangidas
- Apólice do seguro da casa (proprietário ou inquilino) — no mínimo, a página com as condições particulares
- Apólice e cartões do seguro automóvel
- Apólice do seguro de vida, com o número de telefone da seguradora para participação de sinistros
Saúde (3)
- Uma lista atualizada de medicamentos: nomes, doses, médico que os receitou
- Registos de vacinação, sobretudo das crianças
- Alergias e doenças — uma página que um desconhecido consiga ler em voz alta a um enfermeiro
Dinheiro e contas (4)
- Um inventário de contas: todas as contas bancárias, de investimento e de reforma, com os nomes das instituições e os últimos quatro dígitos (nunca números completos e palavras-passe juntos)
- Uma lista de cartões de crédito com os números de telefone dos emissores, para cancelamento rápido
- A sua declaração de IRS mais recente — prova rendimentos e identidade num único documento
- Débitos diretos e subscrições que alguém teria de suspender ou pagar
Casa e propriedade (3)
- A escritura ou o contrato de arrendamento
- Documentos únicos e registos dos veículos
- Um inventário da casa — até um vídeo de dez minutos a percorrer cada divisão facilita imenso uma participação ao seguro
Assuntos legais e contactos (2)
- Uma nota de «onde estão as coisas»: a localização dos testamentos e procurações originais e de qualquer cofre bancário (e quem tem a chave). As cópias destes documentos ajudam; mas são os originais que os tribunais e os bancos exigem, por isso a nota a dizer onde vale tanto como a cópia.
- Uma folha de contactos essenciais: médicos, mediador de seguros, advogado, recursos humanos da empresa, senhorio ou banco do crédito à habitação, e dois familiares que vivam fora da zona
Se é mesmo um desastre o cenário para o qual está a planear, há um guia mais completo sobre que documentos importam quando pode ter de sair de casa à pressa — mas estes vinte também são o núcleo dessa lista.
Montar tudo numa noite
- Primeiro o monte, a perfeição depois. Tire tudo da gaveta, da pasta, do porta-luvas. O que faltar entra numa lista de pendências; não paralise o projeto inteiro por causa de uma certidão de nascimento.
- Fotografe ou digitalize cada documento. A aplicação Notas do iPhone tem um digitalizador incorporado bastante decente (toque no ícone da câmara dentro de uma nota → Digitalizar documentos), e recorta e endireita por si.
- Guarde as cópias num sítio protegido e deliberado — não espalhadas pelo rolo da câmara entre fotografias de férias. Um lugar dedicado, protegido por código, que a família saiba nomear é exatamente o objetivo. Os papéis do seguro, em particular, merecem ser guardados no telemóvel como deve ser, porque são os documentos de que vai precisar parado num parque de estacionamento.
- Escreva as duas páginas únicas — o inventário de contas e a nota de «onde estão as coisas». Demoram quinze minutos e são as páginas de que as famílias sentem mais falta.
A versão manual disto funciona. A sua fraqueza, admitamos, é a consulta: daqui a seis meses, sob stress, alguém tem de se lembrar de como se chamava cada ficheiro e de onde ficou.
É precisamente esse passo da consulta que o Paperlock foi construído para eliminar. Guarde lá os mesmos vinte documentos e ele lê cada um — o que é, de quem vem, quando caduca — e organiza tudo sozinho atrás do Face ID, com as páginas sensíveis como passaportes desfocadas até confirmar que é você. Depois, encontrar algo é só perguntar: «mostra-me os nossos cartões de seguro de saúde» ou «quando caduca o passaporte da Maya?» dá a resposta com os documentos anexos. Até deteta documentos que já estão escondidos no rolo da câmara e oferece-se para os trazer para dentro — a maioria das pessoas surpreende-se com a quantidade desta lista que já está nas suas fotografias. Chega em breve ao iPhone.
Mantê-lo atualizado
Um dossiê com três anos de atraso é só ligeiramente melhor do que dossiê nenhum. Dois hábitos mantêm-no honesto:
- Atualize por acontecimentos, não por calendário. Apólice nova, medicamento novo, morada nova, carta renovada — no próprio dia, a cópia entra no dossiê. Trinta segundos.
- Faça uma revisão duas vezes por ano. Quando mudar a hora, gaste dez minutos a verificar datas de validade e as duas páginas únicas. (Se os seus documentos vivem no Paperlock, a parte das validades trata-se sozinha — ele avisa 30 e 7 dias antes de passaportes, documentos de identificação e seguros caducarem, sem configurar nada.)
Quem deve saber como chegar a ele
Este é o passo que as pessoas saltam, e é o que torna o dossiê útil nas emergências em que você é a pessoa em causa. Diga a um adulto de confiança — cônjuge, filho adulto, irmão — três coisas: que o dossiê existe, onde está e como entrar. Se estiver no telemóvel, isso significa que essa pessoa conhece o código de acesso do aparelho, ou tem a sua própria cópia do essencial.
Depois diga mais uma coisa: onde estão os originais em papel. O dossiê digital responde a perguntas depressa; a nota lá dentro — testamentos aqui, títulos ali, a chave do cofre na caixa azul — é o que transforma uma semana terrível numa semana apenas difícil.