Não precisa de descarregar nada. O seu iPhone traz um digitalizador de documentos genuinamente bom há anos — está apenas escondido dentro de aplicações onde não estava a procurar.

Aqui fica a versão de 30 segundos, e depois os pormenores.

A resposta rápida: digitalizar com a aplicação Notas

  1. Abra o Notas e comece uma nota nova (ou abra uma já existente).
  2. Toque no ícone da câmara por cima do teclado.
  3. Escolha Digitalizar Documentos.
  4. Aponte o telemóvel para a página. A câmara encontra os limites, captura automaticamente e recorta e endireita a página por si.
  5. Continue — cada página nova para que apontar é adicionada à mesma digitalização.
  6. Toque em Guardar quando terminar.

É só isto. A digitalização fica na nota, e pode tocá-la, carregar no botão de partilha e enviá-la para onde quiser como PDF — email, Mensagens, Ficheiros, uma janela de impressão.

Se a captura automática estiver a falhar (acontece com papel brilhante ou fundos confusos), toque no botão do obturador e depois arraste os cantos para corrigir o recorte antes de tocar em Manter Digitalização.

O outro digitalizador integrado: digitalizar diretamente para um PDF no Ficheiros

O Notas é ótimo para uma coisa rápida e pontual, mas a digitalização fica presa dentro de uma nota. Se quer um ficheiro PDF a sério numa pasta a sério, a aplicação Ficheiros tem o mesmo digitalizador com um final melhor:

  1. Abra o Ficheiros e toque no separador Explorar.
  2. Toque no menu de três pontos no canto superior direito.
  3. Escolha Digitalizar Documentos.
  4. Capture as páginas exatamente como no Notas e toque em Guardar.
  5. Escolha uma pasta — iCloud Drive, No meu iPhone, onde quiser — e a digitalização fica lá como PDF, pronta a anexar ou partilhar.

A mesma câmara, o mesmo recorte automático, mas salta o passo «agora tirar isto do Notas». Se o que tem na verdade são fotografias antigas de documentos em vez de papel à sua frente, isso é outra tarefa — aqui está como transformar fotografias num PDF no iPhone sem imprimir nada.

Dicas de câmara: a diferença entre «digitalização» e «fotografia cinzenta e desfocada»

O digitalizador só é tão bom quanto aquilo que a câmara vê. Cinco coisas resolvem quase todas as digitalizações más:

  • Luz de lado, não por trás de si. Posicione-se de modo a que a sua própria sombra não caia sobre a página. Uma mesa perto de uma janela, de dia, ganha a qualquer candeeiro de teto.
  • Superfície plana, fundo com contraste. Papel branco numa mesa escura deixa a deteção de limites acertar ao instante. Papel branco numa bancada branca obriga-a a adivinhar.
  • Alise a página. Os talões enrolam-se. Pressione-os durante dois segundos primeiro, ou prenda os cantos com o que tiver à mão. Uma página deformada digitaliza-se deformada.
  • Segure o telemóvel paralelo à página. Fotografar de ângulo obriga o software a esticar a imagem de volta à forma certa, e é o texto que paga.
  • Papel brilhante: acabe com o reflexo. Incline ligeiramente a página (não o telemóvel) até a mancha de brilho sair de cima do texto, ou afaste-se da fonte de luz.

Acerte nisto e o digitalizador integrado produz digitalizações boas o suficiente para quase tudo — pedidos de visto, relatórios de despesas, reclamações de garantia.

Onde os digitalizadores integrados deixam de ajudar

Aqui vem a parte honesta. O Notas e o Ficheiros resolvem a captura de um documento. Fazem muito pouco quanto ao que vem a seguir.

Cada digitalização que faz precisa de um nome — e «Documento Digitalizado 14» é o que recebe se não lhe der um. Precisa de um sítio: uma nota, uma pasta, alguma estrutura que inventa e de que depois tem de se lembrar. E meses depois, encontrá-la depende de lhe ter dado um nome que o seu eu do futuro procuraria. O Notas consegue encontrar algum texto dentro das digitalizações, o que ajuda — até estar à procura de «aquele talão da coisa que devolvi», que não é uma frase que lá esteja impressa.

Nada disto interessa com três documentos. Com cento e cinquenta — um ano ou dois de talões, faturas, cartas do seguro e impressos da escola — a digitalização nunca foi a parte difícil. Era o arquivo. Se a sua pilha já está nessa fase, organizar documentos em papel em casa descreve um sistema que não se desmorona até março.

Quando vai querer uma aplicação de documentos a sério

É esta a lacuna que o Paperlock foi feito para preencher. Digitaliza-se da mesma maneira — aponta a câmara, ele recorta e endireita, várias páginas funcionam sem truques — mas o passo de dar nome e arquivar simplesmente não existe. A aplicação lê cada documento à chegada: o que é, quem o enviou, a data, o valor, quando expira. A sua fatura da eletricidade arquiva-se a si própria com um título como o que escreveria no seu dia mais disciplinado, e mais tarde basta perguntar — «quanto foi a fatura da luz de março?» — e recebe a resposta com o documento anexado. Tudo fica atrás do Face ID em vez de na sua lista de notas, e tudo o que tenha prazo de validade avisa-o antes de expirar. É essa a ideia toda da aplicação, e chega em breve ao iPhone.

Para ser justo com os integrados: se digitaliza alguns documentos por ano e sabe exatamente onde os pôs, o Notas e o Ficheiros são gratuitos, já estão instalados e servem perfeitamente. Os prós e contras vão mais fundo do que um parágrafo, por isso escrevemos uma comparação honesta, lado a lado: Paperlock vs digitalização no Apple Notes.

Referência rápida

Quer… Use
Digitalizar uma coisa uma vez, enviá-la, esquecê-la Notas
Digitalizar diretamente para um PDF numa pasta Ficheiros
Converter fotografias existentes num PDF Fotografias + Ficheiros (passos aqui)
Digitalizar muito e nunca dar nome nem arquivar nada Paperlock (em breve)
Guardar documentos sensíveis atrás do Face ID Paperlock (em breve)

Escolha o que escolher, o hábito conta mais do que a ferramenta: digitalize as coisas quando as tem na mão, não quando precisa delas. O papel que digitalizou em julho está a uma pesquisa de distância em novembro. O papel que ia digitalizar está num saco algures, e sabe bem qual é o saco.