A Carteira de Trabalho Digital já existe para quem tem CPF: você só precisa habilitá-la, no aplicativo ou na web, com uma conta gov.br autenticada. O Ministério do Trabalho informa que ela “está previamente emitida a todos os brasileiros e estrangeiros que possuem o CPF”, que o número dela é o do seu CPF e que o serviço é gratuito. Ela vale para acompanhar e comprovar o vínculo de trabalho, mas não é aceita como documento de identificação.

A seguir, como entrar, o que o app mostra (e o que não mostra) e o que fazer com a carteira de papel.

Carteira de Trabalho Digital em quatro pontos
  • CPFé o número da carteira: ela já foi emitida para todo mundo que tem CPF
  • R$ 0custo para o trabalhador, pelo app ou pela web
  • gov.bra conta é o acesso; o detalhamento dos vínculos pede uma segunda validação
  • Não é RGvale para comprovar o vínculo, mas não como documento de identificação

Ministério do Trabalho e Emprego, Perguntas frequentes da Carteira de Trabalho Digital; gov.br, Obter a Carteira de Trabalho. Conferido em outubro de 2026.

Como acessar

Como acessar a Carteira de Trabalho Digital
  1. Instale o app ou use a webo app só roda em smartphone; a versão web fica no gov.br.
  2. Entre com a conta gov.bro CPF e a conta autenticada são tudo de que você precisa.
  3. Habilite a carteiraela já está emitida; a habilitação é feita no próprio app.
  4. Veja as 3 últimas ocorrênciasadmissão, afastamento e férias aparecem no primeiro acesso.
  5. Abra o detalhamentoresponda a perguntas (4 acertos em 5) ou valide o rosto no app gov.br.

Ministério do Trabalho e Emprego, Perguntas frequentes (itens 14, 15, 21, 27); gov.br, Obter a Carteira de Trabalho. Outubro de 2026.

Você tem duas portas. O aplicativo Carteira de Trabalho Digital só pode ser instalado em smartphone (Android, na Google Play; iPhone, na loja da Apple). A versão web fica no serviço “Obter a Carteira de Trabalho”, do gov.br, e funciona no computador. Nos dois casos você precisa do CPF e de uma conta gov.br autenticada.

O acesso tem dois níveis. No primeiro, mais simples, aparecem as três últimas ocorrências do último vínculo (admissão, afastamento e lançamento de férias) e os seus dados pessoais. Para o detalhamento dos vínculos, com salários e a vida profissional inteira, o sistema pede uma segunda validação: cinco perguntas, com pelo menos quatro acertos, ou a validação facial pelo app gov.br. Se você não consegue gerar a senha, o ministério lista alternativas: validar pelo app gov.br, por bancos credenciados ou por certificado digital.

Quem nunca teve carteira assinada também entra, mas vê só os dados pessoais de qualificação civil.

O que aparece e o que não aparece

A carteira mostra o que os sistemas do governo sabem sobre o seu trabalho, e nem tudo cabe nela:

Pergunta Resposta oficial
Aparecem todos os vínculos? só os de empregado e empregado doméstico; contribuinte individual, não
E o resto do CNIS? fica no Meu INSS: veja CNIS e extrato previdenciário
Onde está o número da CTPS de papel? não aparece: a carteira usa o CPF como número-chave
O cargo está diferente do que a empresa usa? o app mostra a ocupação da Classificação Brasileira de Ocupações (CBO), não o cargo interno
Posso editar meu nome ou data de nascimento? não no app: esses dados vêm do CPF, e a mudança se pede à Receita Federal e ao INSS

Perdeu a carteira de papel?

É possível pedir a carteira digital sem a física: baixe o app (ou use a web), clique em obter e depois em solicitar, e faça a identificação com o gov.br. O pedido é pessoal e gratuito, e não exige ir a uma unidade. Mas, atenção: a carteira de papel que você tem deve ser guardada. O ministério explica que ela continua sendo o documento para comprovar tempo de serviço de vínculos anteriores a setembro de 2019, e que, mesmo com o app mostrando contratos antigos, convém conservar o original.

Dados errados no app

Se o cargo, o salário ou a data estão errados, o caminho depende da época:

  • Vínculos depois de setembro de 2019: avise o empregador, que corrige enviando as informações certas pelo eSocial. O contrato novo aparece na carteira 48 horas depois do envio.
  • Vínculos mais antigos: o ministério diz que as divergências vêm das bases da época, que não é preciso comparecer a uma unidade e que muitas se corrigem sozinhas, ou em campanhas, ou quando você pedir um benefício ao INSS.

Para contratação e primeiro dia de trabalho, veja o guia de novo emprego; e, se o vínculo acabar, o prazo do seguro-desemprego corre da demissão.

Casos que ainda não aparecem

Alguns registros não chegam ao app. O ministério avisa que o PIS não aparece na carteira: quando a pessoa nunca teve registro de trabalho, o número é gerado pela Caixa e cabe ao empregador pedi-lo. Outro caso é o reconhecimento de vínculo pela Justiça do Trabalho: os eventos que o empregador ou o tribunal lançam no eSocial para isso ainda não são replicados no aplicativo, e o ministério diz que a atualização está em andamento. E, se o novo empregador pedir a carteira de papel para contratar, a orientação é que o registro seja feito na carteira digital, por meio do eSocial, com o envio das informações valendo como assinatura de carteira.

Como guardar o que importa

  • A mão: fotografe a carteira de papel (capa, páginas com anotações) e guarde o original num envelope; no app, tire um print do detalhamento dos vínculos a cada mudança de emprego. O guia de o que guardar e por quanto tempo ajuda a organizar a pasta.
  • Com o Paperlock: você fotografa a carteira de papel e importa contratos e holerites; o app lê datas e valores e guarda tudo num cofre com Face ID. Quando precisar provar um vínculo antigo, basta perguntar “em que ano comecei na empresa X?” e abrir o documento.

Estas são as regras em vigor em outubro de 2026. O aplicativo e o serviço mudam de versão: se algo não bater com a sua tela, vale a informação do gov.br.